Berlinale 2018 - Dia#02

THE ISLE OF DOGS - WES ANDERSON
por Henrique Cury

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Desde que soube que Wes Anderson abriria o festival com uma animação, tive certa curiosidade sobre o porquê desta escolha.. O peso do diretor ou a magnitude da obra?

A sessão para jornalista hoje em Potsdamer Platz que abriu as sessões do festival estava abarrotada. Eram duas salas de aproximadamente 600 pessoas cada uma , de todo o mundo com seus bloquinhos de anotações. Tive a sorte de cair na sala do júri e sentei algumas fileiras atrás do presidente Tom Tykwer e da bela atriz belga Cécille de France.

Isle of Dogs é uma animação ousada. Em um futuro próximo na cidade japonesa de Meagasaki, o corrupto prefeito Kobayashi é eleito através de uma eleição fraudulenta que dividiu o congresso e ameaçou sua governabilidade.. Através de estudos falsos com interesses ocultos de indústrias farmacêuticas , uma gripe canina assola a região fazendo o prefeito tomar uma medida populista de isolar os cães doentes em um aterro sanitário numa ilha próxima a cidade. O filme permeia a relação entre as gangs de cães e ,com a ajuda de ativistas de Megasaki, provar que são objetos de um esquema fraudulento capitaneado pelos dirigentes no poder.

Apesar da estética audaciosa e da tentativa de se inserir em um debate politico, o filme não chega a ser original. A animação Valsa com Bashir (2008) do israelense Ari Folman sobre a guerra no Líbano foi o primeiro a misturar recursos gráficos com conteúdo político.

É fato que o momento mundial pede uma reflexão de como somos governados e como podemos renovar nossos sistemas políticos. Talvez a intenção de Anderson tenha sido escancarar o tema para cutucar alguns modelos obsoletos do capitalismo e ser mais uma voz anti-Trump. O resultado, no entanto, não condiz com a importância do tema.

Após a fria recepção e dos poucos aplausos ao final , descobri que a escolha do filme para abrir o festival foi uma decisão política. Tudo aquilo o que o filme quer combater.

Juliana Sabbag