Berlinale 2018 - Dia#06 - 1

Eva

EVA- BENOIT JACQUOT

por Henrique Cury

Isabelle Hupert é a estrela do novo filme de Benoit Jacquot, o veterano diretor francês dos aclamados "Sade" (2000), "Tosca" (2001) e "Adeus Minha Rainha" (2012). No papel de uma prostituta de luxo a sensação é de déjà-vu. Parece que já vimos o filme pela perfeição de Huppert na pele de Eva. Aliás, este talvez seja o maior defeito do filme.

Parece que estamos na continuação de "Elle" que Huppert fez com Paul Verhoeven no ano passado. O filme é uma adaptação do livro do inglês James Chase e já teve um versão no cinema há 50 anos. Bertrand é um jovem enfermeiro que cuida de um escritor idoso. Ele presencia sua morte enquanto trabalhava em seu apartamento e rouba os manuscritos do seu último livro antes de fugir. Bertrand se apropria dos escritos e transforma em uma peça de teatro que faz um estrondoso sucesso em Paris. Ele é agora um renomado e famoso escritor e precisa continuar sua carreira. Caroline, sua rica e bonita namorada, pressiona Bertrand a escrever outro livro, mas esconder a verdade é seu maior desafio.

Em uma ida sozinho à casa de seus sogros nos Alpes, contrata os serviços de Eva e uma relação de poder e conquista se inicia entre o falso escritor e a prostituta dos milionários da região. O resultado da obra de Jacquot tem um tom noir, atuações precisas mas derrapa no conjunto.

Como dito, Huppert não é mais o fator surpresa e o roteiro não se sustenta sozinho. A recepção na sessão de jornalistas foi fria e o filme não deve fazer muito barulho após seu lançamento. O filme passou ao mesmo tempo em três salas do conjunto Cinemaxx e mais uma vez assisti junto com o júri. Desta vez , na fileira da frente, a esplendorosa cabelereira branca de Ryuchi Sakamoto me chamava mais atenção que o tom noir do filme de Jacquot.

Juliana Sabbag